CONCARH destaca o protagonismo das competências humanas na era da inteligência artificial

Em vez de substituir as pessoas, a inteligência artificial está redefinindo o que torna um profissional indispensável. Se tarefas técnicas tendem a ser automatizadas, competências como comunicação, criatividade, pensamento crítico, empatia e capacidade de aprender continuamente passam a ocupar um lugar ainda mais estratégico. Essa foi a principal convergência entre duas palestras realizadas nesta quinta-feira (9), no CONCARH, que discutiram o papel das habilidades humanas na construção de carreiras e na competitividade das organizações.

O empreendedor e premiado publicitário Hugo Rodrigues defendeu que o diferencial competitivo está menos em buscar soluções extraordinárias e mais em executar bem o que parece simples. "É preciso fazer o óbvio bem feito", afirmou. Vencedor de 21 Leões em Cannes, ele destacou: "Se eu tivesse acreditado na ideia de genialidade ou se tentasse ir contra a tecnologia, não teria chegado onde cheguei", declarou.

Como exemplo, Hugo apresentou uma lista com dez atitudes que, na sua avaliação, diferenciam profissionais em qualquer área: chegar no horário, cumprir o combinado, pedir feedback, admitir erros rapidamente, compreender o contexto além da tarefa, manter a curiosidade, persistir diante das dificuldades, pedir ajuda quando necessário, aprender com quem sabe mais e compartilhar conhecimento.

 

Dominar a IA e fortalecer o humano

A mesma perspectiva foi reforçada por Borja Castelar, ex-diretor do LinkedIn para a América Latina. Para ele, investir nas human skills, no autoconhecimento, na construção da marca pessoal e no domínio da inteligência artificial é a melhor estratégia para enfrentar as transformações do mercado de trabalho.

Castelar avaliou que a inteligência artificial representa uma oportunidade para tornar o trabalho mais humano. Segundo ele, durante décadas as organizações concentraram esforços em produtividade e eficiência, levando profissionais a atuarem quase como máquinas. Agora, com a automação das tarefas repetitivas, abre-se espaço para valorizar justamente aquilo que a tecnologia não substitui: comunicação, pensamento crítico, inteligência emocional e criatividade.

"É irônico, mas a IA veio para nos lembrar que o importante é a parte humana", afirmou. Na avaliação do palestrante, a tecnologia não eliminará a maioria das profissões, mas transformará profundamente o mundo do trabalho e criará novas ocupações. “Vai ser uma revolução humanística”, resume.

 

RH diante de novos desafios

Para Mariane Nicoloso, coordenadora de Conteúdo do CONCARH, as duas palestras provocam uma reflexão importante para os profissionais de recursos humanos. "A tecnologia é importante, mas ela está nos moldando? Como isso impacta nas empresas e nos setores de RH?", questiona.

Segundo Mariane, embora a inteligência artificial traga ganhos importantes de produtividade e automatização, ela também amplia a necessidade de desenvolver competências humanas e fortalecer novas formas de relacionamento nas organizações. Nesse contexto, cabe às lideranças criar ambientes que estimulem aprendizagem contínua, colaboração e desenvolvimento dessas habilidades.

O CONCARH encerra-se nesta sexta-feira (10), reunindo mais de 5 mil participantes em Florianópolis. A programação aborda temas como liderança, cultura organizacional, inovação, saúde mental e futuro do trabalho.

 

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